XV CONCURSO “FRITZ TEIXEIRA DE SALLES” DE POESIA

CLASSIFICAÇÃO FINAL


CATEGORIA GERAL

1º lugar

Poesia: Então o que falta?

Poeta: Luís André Pinto Brandão

Arouca – Portugal


 

ENTÃO O QUE FALTA?

O que te falta ainda fazer?
- perguntava com ar inquisitivo.
Nem tudo, respondeu sereno.
E acrescentou, como se soubesse da vida:
Nada do que me trouxe se completa em mim mesmo.
Porém, a minha existência justifica-se de mim,
Dá sentido ao que não sou,
Diminui o que aí tento
E afaga o que não posso.
Apaga o que não penso.
 
Então o que falta?
 
(- uma quase insistência.)
 
Nada. Importa agora apenas o estar.
 
Se morte pudesse no mundo existir,
Esperava-se ali um permanecer,
Que, claramente, não há.

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                                           2º lugar

                        Poesia: O rosa do papel de pão

                                Poeta: Éder Rodrigues

                        Belo Horizonte – Minas Gerais


O rosa do papel de pão

Naquela época,
as tardes só eram tardes
porque muito antes do pôr do sol
o vendedor dobrava a esquina
com um cesto de pão.
 
É verdade que para completar a mesa
podíamos comprar na venda mais próxima.
Só que havia o gesto da entrega.
Os dedos suando na hora.
O impossível anotado na caderneta.
 
Não pensem que esta espera
tão aguardada por grande parte da rua
era só pela buzina
que modernizava a bicicleta antiga
ou pela garupa enferrujada
que servia de enfeite.
 
Tinha também o jeito dele armar o descanso,
acalmar nossos olhos confusos
e embalar as unidades
naquele papel rosa de sempre.
 
O sabor de presenciar o ato do embrulho
na velada arte das mãos,
adoçava calos e xícaras.
Derretia a manteiga e todos os cuidados
disfarçados com uma alegria tardia.
 
Também é verdade
que depois dos lábios adormecidos de café
escorríamos caladas no rosa
que sobrava na mesa
e testemunhava segredos e fugas.
 
Somente nós sabíamos
como era bom entardecer na janela,
abanando a toalha para distrair
filhos e costumes, maridos e farelos.
 
Foi nessa época que,
senhoras do que sentíamos,
agradecíamos o milagre do trigo
com nosso silêncio de deusas.
 
Na calma com que recolhíamos
todos os desejos do dia.
Para depois escrevê-los
naquele rosa tão íntimo
dos eternos papéis de pão.

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3º lugar                                   

Poesia: A cama onde a mulher dorme só       

Poeta: Heusner Grael Tablas               

Dois Córregos – São Paulo                


 

A CAMA ONDE A MULHER DORME SÓ

 
A colcha retorcida
mostra em baixo relevo
a marca do braço que repousou
na arquitetura do sono
 
O lençol repuxado
faz supor joelhos aéreos
quando um corpo desnudo se oferece
à mobilidade do sonho
 
(mas a ilusão completa
precisa de todos os sonhos)
 
O cheiro de lavanda
ainda se agarra nos detalhes
E o tempo que havia parado
já entra pela janela
 
Também os raios da manhã
dissolvem fluídos imaginários
Hora de arrumar a cama
para que o dia recomece do nada  


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CATEGORIA MONTE SIÃO

 1º lugar

Poesia: Bruxo

Poeta: André Costa Pereira Grossi



 BRUXO

Acendi meu turíbulo,
Percorri meus muros
E as divisas de minha alma.
Reencontrei sonolentos
Sonhos abandonados,
Esfomeados e entregues...
Mulheres esquecidas
E lutas perdidas.
 
Minhas divisas são cruéis.
Há pregos e musgos de bruxo
Que espantam Andarilhos e
Tropeiros,
ninguém me visita.
 
Depois, há uma mata
De paridos,
esquecidos filhos da terra.
Anjos caídos
E bruxas que envelheceram.
Nas trevas
Só brilha uma lamparina.
A luz fraca das orações
de minha mãe por mim.
 
Me afasto,
Mas, quase fico...
 
Volto para casa.
Fecho as janelas e as portas.
Deito os retratos.
A luz, que o sino refletia,
Perdeu-se na trigésima badalada
de minha vida.
Minha alma não soa mais,
Somente ecoa
o que calo.


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2º lugar                                  

Poesia: Chronos                        

Poeta: Sílvio Assis Lobato (Ir. Sílvio)      

 


Chronos

Tempo, terrível algoz
Que sulcos abre
No dorso nosso.
 
Em ondas sem fim
Dobra em nossa face
Qual róseo cetim.
 
Destina onerosas cargas
Nos ombros nossos
De eras amargas.
 
Agrilhoam correntes fortes
Nos pés nossos
Em que aguardamos as mortes.
 
Com foice afiada
Tal camponês na colheita
Ceifa meu ânimo. Ceifa-me.


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                          3º lugar

        Poesia: A casa dos reflexos

   Poeta: Mayson Aurélio Leal Silva

A casa dos reflexos

Eu vou subir como a ave mais forte que há,
Ou como pluma
E resistir às brisas mais suaves
E também as tempestades
Do que não há.
 
Olhe lá, lá vem o vento
Uivando delírios meus.
São tormentos abandonados no silêncio
E eis o que penso:
São meus tormentos, nada mais.
 
Moro numa casa de espelhos
E não envelheço,
Pois sempre há algo novo de mim.
 
Vejo o monstro que conheço.
Aponto o dedo e escarneço,
Fingindo não fingir.
E de lado nego-me o que vejo,
Crianças, gatos, cachorros e um bêbado
De sonhos e um trôpego
De realidades sem fim.
 
Vejo os momentos passarem a sós
De namoro com o tempo
E o tempo, todo animado
Acelerado pela vontade de acontecer,
Mas o tempo nunca é,
Pois quando é já foi.
 
E eu como pluma
Lenta, leve como alento
Passo desapercebido
Silente.
Só, notada apenas por mim.
 
Vejo os outros e vejo-me,
O monstro, o trôpego e o bêbado.
Vejo os loucos e o medo
Dos outros, que me vejo
Meu degredo,
E deliro que o tempo no espelho
É falso, côncavo ou convexo
Enquanto fito olhos num reflexo
Uns olhos que a tanto não converso
E que me fazem refletir como o vento.
 
Dou um tempo... me entrego
A tantos outros que a mim me nego.
Ah! Esses lúcidos devaneios.
Ah! Esses meus pedaços inteiros.
Há tantos olhos vermelhos
Que me esperam,
Nessa casa de espelhos.
 
Agora, assopro toda bruma
E como pluma,
Voo o meu voo derradeiro.
Sou imenso.


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MENÇÃO HONROSA

(ordem alfabética do nome do autor)

 Poesia: Noctívaga                 

Poeta: Antônio Francisco Pereira    

Belo Horizonte – Minas Gerais

NOCTÍVAGA

 Foi assim. Ela chegou quase nua
(Eu nem sei como abriu a minha porta),
Me deu um beijo e disse: hoje sou tua,
O mundo lá de fora não me importa.
 
Chegou trazendo o resplendor da lua
(Imagem que até hoje me conforta)
E insistiu: me ame, beije e me possua,
Antes que eu saia por aquela porta.
 
Desde então deixo minha casa aberta,
Para que ela volte e repita a oferta,
Me sufoque com seus beijos fatais.
 
Mas só desilusão é que acontece:
A lua toda noite reaparece,
Mas aquela deusa...ela nunca mais.


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                   Poesia: Meu lugar

                  Poeta: Diná Chaves

     Conselheiro Pena – Minas Gerais


MEU LUGAR

A ventania da mudança
Não fora prevista pelos meteorologistas.
Arrasou os brotos da minha plantação,
Fez ruir meu celeiro de quimeras.
 
Outros recolheram seus destroços
E foram habitar terras distantes.
Permaneci tênue em meu chão destruído,
Assistindo o deslocar tremer o mundo
Ameaçando me arrastar,
Movendo anseios e ardores...
 
Restou-me sozinha sobre o celeiro destruído.
 
Nada pude reconstruir com meus detritos...
Remanesceu uma parede condenada apenas,
Desnuda do reboco frágil que a recobria,
Indecente em seus tijolos evidentes.
 
Recosto-me no restolho de muralha.
Ela e eu, sobreviventes agonizantes na vertigem da tragédia,
Esperando a próxima chuva pascal,
Anunciadora da ressurreição dos meus campos abertos;
 
Mas pode ser que venha ventania
Arrancando novamente do solo estruturas.
Porém sua foice não trincará meus ossos.
Conservar-me-ei inarrastável,
Pois apesar de repousar sobre cacos e ruínas,
Meu lugar é onde minha raiz habita.

 

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Poesia: Pé de vento          

Poeta: Renata Alves Torres    

Itabira – Minas Gerais       


Pé de Vento

O espaço da minha infância era o quintal da minha casa.
Ali cabia o mundo.
Não qualquer mundo, mas o mundo que eu escrevia.
E numa sedução infantil, plantava todos os dias folhas caídas
Em covas rasas, fazendo montinhos, só para ver brotar o vento
_aquele que ia e vinha, levando minhas poesias e sempre voltando
Assobiando, declamando o que eu escrevia.
E o vento como bom ouvinte que era, sussurrava como brisa
Composições lindas que aprendia de outros quintais
Como o meu, que ele sempre peralta, conhecia.
Acreditava piamente que o vento nascia
-pois não são das folhas que o ar respira?
Plantava então muitos pés de vento.
E quanto mais eu plantava, mais eu escrevia e mais poesia
O vento me trazia...


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   Poesia: O menino de olhar distante

    Poeta: Rui Manuel Duarte Tojeira

       Marinha Grande - Portugal


O menino de olhar distante…

 ― Pai,
posso ir colher o vento para levar ao estendal?
— Está bem,
mas escuta a tua mãe e não o deixes sair do quintal.
 
— Pai,
posso subir à meda da caruma para levantar de avião?
— Vai meu filho, mas não percas o teu chão.
 
— Meu pai,
deixas-me voar na asa de um estorninho?
— Voa meu menino, mas ensina-lhe o caminho.
 
— Papá,
posso ir ver o mar no fundo do poço das picotas?
— Aí não João, que ainda assustas as gaivotas.
 
— Diz-me meu pai,
é pecado apanhar estrelas com um manto de luar?
— Não meu filho, pecado é não saber sonhar…
 
(Oh meu pai,
será que um dia poderei cruzar os céus sem ficar de olhos baços?
Como eu queria encontrar Deus e pedir-lhe para voltar aos teus braços.)

 

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Poesia: Desejo utópico          

Poeta: Tarmínio Oláfio Langa     

Maputo - Moçambique         

Desejo Utópico

Sobre o batom ousado do teu labro
Quero o meu poisar num tímido beijo
Mas de tanto sentir que em ti sobejo
Jazo na tumba dum pranto macabro
 
Na macia pele do teu rosto glabro
Em cuja formosura encantos vejo,
Abrandar quero o indómito desejo,
Mas o tal sentimento nunca te abro!
 
Porque não passa duma utopia feia,
Ver satisfeito o indómito que brada
Do fundo deste peito que te anseia,
 
Por quanto me vês como quase nada:
-Um pobre e miserável grão de areia,
Desfeito na mais leve vassourada!     

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POETA MAIS JOVEM

Honra ao Mérito

Heitor Sampaio de Freitas

16/05/2007

   Santo André – São Paulo



A LUZ E NÓS

Em cada dia que amanhece
O sol aparece
Nos trazendo a luz.
 
Com a luz a gente vê,
Com ela nascemos,
Com ela brincamos,
Com ela pegamos e guardamos.
 
Com ela aprendemos,
Com ela arrumamos,
Com ela vivemos,
Com ela lemos e escrevemos.
 
A luz é bonita,
A luz é um amor,
A luz é graciosa,
A luz nos traz a flor.
 
Tem a luz natural,
Tem a luz artificial,
Ela nos traz a beleza
De forma legal.
 
Sem ela temos a escuridão,
Sem ela não podemos crescer,
Sem ela não temos alimentos,
Sem ela não podemos viver.

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XV Concurso “Fritz Teixeira de Salles de Poesia”

Promoção “Fundação Cultural Pascoal Andreta”

REGULAMENTO

I. GERAL

1) As inscrições estarão abertas de 14 de novembro de 2016 até 31 de janeiro de 2017.

2) Cada autor poderá concorrer com até 02 (dois) poemas, inéditos, e em língua portuguesa.

a. A publicação em blogs pessoais não invalida o ineditismo, porém a publicação em livros, jornais e ou antologias quaisquer, bem como a inscrição simultânea em outro concurso similar, invalidam a inscrição.

b. A participação no concurso é livre para autores de todas as idades, sem qualquer restrição.

c. São aceitas inscrições de autores residentes e ou originários de quaisquer cidades ou países.

d. A inscrição é gratuita.

3) O tema das poesias é livre.

4) Uma Comissão Julgadora, escolhida pela Fundação Cultural Pascoal Andreta, selecionará os melhores trabalhos.

5) Os direitos autorais dos textos são de propriedade de seus autores.

a. Ao enviar sua inscrição para este concurso, os autores concordam expressamente com a publicação das poesias inscritas no site da Fundação Cultural Pascoal Andreta (www.fundacaopascoalandreta.com.br), bem como no livro (edição comemorativa) a ser publicado, sem que qualquer ônus seja imputado à Fundação.

b. Não é necessário que o autor faça o registro, para fins de direito autoral.

c. A Fundação Cultural Pascoal Andreta declara que o livro a ser editado (edição comemorativa), não será comercializado em nenhuma hipótese, tratando-se ainda de tiragem limitada.

6) O envio da(s) poesia(s) ao concurso significa inteira e completa concordância, por parte dos concorrentes, com este Regulamento. Casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora. As decisões são irrecorríveis.

II. INSCRIÇÕES

1) Para confirmar sua inscrição, o autor deverá preencher o formulário disponível no link Ficha de Inscrição.

2) A(s) poesia(s) deverão ser anexadas na mesma Ficha de Inscrição, em campos específicos.

3) Ao final do preenchimento do formulário e tendo anexado sua(s) poesia(s), clicar no botão ENVIAR. Aguardar mensagem de confirmação de recebimento.

4) Não serão aceitos textos e inscrições por email.

5) As poesias deverão ser enviadas conforme abaixo:

a. Digitação em fonte Times New Roman, tamanho12, ou fonte Arial, também tamanho 12, com espaço livre.

b. Cada poesia deverá constituir um arquivo único, sem a indicação do nome do autor (os textos serão catalogados e indexados por numeração sequencial para encaminhamento à Comissão Julgadora).

c. Preferencialmente, salvar os arquivos em formato PDF. Arquivos no formato Microsoft Word (.doc ou .docx), OpenOffice, BROffice, LibreOffice ou Google Docs também serão aceitos.

d. Não são aceitos links de compartilhamento em serviços como Dropbox, Google Drive, Skydrive ou similares.

6) Em até 5 (cinco) dias contados a partir do envio das poesias, os participantes receberão comunicado, por email, da confirmação de sua inscrição ou serão solicitados a corrigir eventuais irregularidades.

7) Semanalmente será publicada no site da Fundação Cultural Pascoal Andreta – www.fundacaopascoalandreta.com.br – relação atualizada dos participantes cujas inscrições foram aceitas pela Comissão Organizadora.

8) Solicitações de esclarecimentos poderão ser encaminhadas para o endereço eletrônico (concurso.fritz.2017@fundacaopascoalandreta.com.br), indicando no campo “Assunto”: XIV Concurso Fritz Teixeira de Salles – Esclarecimentos.

III. PRÊMIOS

1) Haverá premiação para os três melhores trabalhos, na categoria GERAL:

a. 1º lugar: R$ 1.500,00 (Mil e quinhentos reais)

b. 2º lugar: R$ 1.000,00 (Mil reais)

c. 3º lugar: R$ 800,00 (Oitocentos reais)

2) Para os três melhores trabalhos de autores da cidade de Monte Sião:

a. 1º lugar: R$ 500,00 (Quinhentos reais)

b. 2º lugar: R$ 300,00 (Trezentos reais)

c. 3º lugar: R$ 200,00 (Duzentos reais)

3) Menção Honrosa para 05 (cinco) trabalhos, na categoria GERAL.

4) Menção Honrosa para o concorrente mais jovem.

5) Todos os classificados, bem como aqueles contemplados com Menção Honrosa, receberão um livro contendo as poesias premiadas (edição comemorativa), Diploma personalizado e assinatura do Jornal “Monte Sião” por um ano (12 edições).

6) Os resultados do concurso serão publicados no site da Fundação Cultural Pascoal Andreta – www.fundacaopascoalandreta.com.br – no dia 12 de março de 2017.

7) A data de entrega dos prêmios acontecerá no dia 1º de abril de 2017, sábado, às 20h.

8) Para os classificados do 1º ao 3º lugares, que não sejam de Monte Sião, haverá hospedagem com café da manhã.

9) No caso do não comparecimento de qualquer dos autores classificados no evento de premiação, o respectivo prêmio poderá ser enviado por correios (diploma, jornal, edição comemorativa) e depósito em conta corrente bancária, desde que expressamente solicitado pelo autor em até 30 dias contados à partir de 01 de abril de 2017. Findo este prazo o valor será devolvido ao patrocinador e o ganhador perderá o direito ao prêmio.

10) Os vencedores poderão declamar sua poesia ou, se desejarem, indicar outra pessoa para fazê-lo.

fundação culturaL PASCOAL ANDRETA

XV Concurso_regulamento.pdf XV Concurso_regulamento.pdf
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Tipo : pdf